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SPFW 53: Uma análise além dos desfiles

A semana de moda paulistana aconteceu entre os dias 31 de Maio e 04 de Junho em apresentações híbridas e cheias de personalidade. 

A SPFW 53 parou a cidade de São Paulo na última semana com seus desfiles cheios de detalhes e informações, celebridades, e muita brasilidade, uma vez que desde o seu retorno ao presencial as marcas tem investido pesado nas coleções celebrando as peculiaridades da moda brasileira e sua relação com a ancestralidade. 

Anacê | Foto: Reprodução

Desde que o Projeto Sankofa se uniu à semana de moda paulistana que ainda nas apresentações online já percebemos uma mudança muito significativa e necessária no maior evento de moda do país. Quando tivemos a primeira edição pós pandemia, as marcas tiveram mais espaço para expressar essa nova visão de trabalho nas passarelas presencialmente. 

Na edição 53 da semana de moda de São Paulo, tivemos a confirmação de que muitas coisas realmente vieram para ficar, trazendo ao evento uma transformação válida e legítima à nossa semana de moda.

O formato híbrido de desfiles veio realmente para ficar. Mesmo com a opção de fazer um espetáculo presencial, muitas marcas apresentaram suas coleções em fashion filmes bem elaborados que exploravam o máximo de suas peças e ideias para compor suas apresentações. 

Silvério | Foto: Reprodução

A SPFW 53 também contou com transmissão ao vivo pelas redes sociais e pelo canal do evento no YouTube de todas as apresentações em tempo real, tornando o evento ainda mais acessível e tornando a informação de moda muito mais democrática. 

A semana de moda de São Paulo atualmente é muito mais do que um desfile de moda, mas sim um espaço para se manifestar. Em diversos desfiles ao longo da semana tivemos claros posicionamentos políticos contra o atual governo, temas como invisibilidade negra e indígena, questões de gênero e de sexualidade presentes em cartazes, bandeiras, toalhas e sinais com as mãos (João Pimenta ao final de seu desfile, fez o “L” em uma clara opinião a seu posicionamento político).

SPFW 53: Castings, inclusão, ancestralidade, e brasilidade

Mais do que promover um espaço para que as coleções e os estilistas possam se expressar, SPFW anda investindo pesado na diversificação de seus castings, cada vez mais inclusivos. 

Os corpos reais, modelos trans, com deficiência, com mais de 50 anos, estão presentes nas apresentações e muitos deles não são necessariamente modelos, mas sim pessoas que por muitas vezes tem alguma relação com a marca e está ali desfilando por isso. 

Meninos Rei | Foto: Reprodução

Os corpos padrão e brancos continuam ocupando espaço nas passarelas do maior evento de moda brasileiro, mas a diferença é que agora já começamos a perceber uma pluralidade nesses modelos e isso é um avanço para o evento e para ideia de moda que qualquer pessoa leiga pode ter do que é ser modelo e desfilar na passarela. 

A moda brasileira e ancestralidade andam juntas e nessa edição da SPFW tivemos a certeza disso, e mais percebemos que essa dobradinha vem pra ficar e que ainda vai ser muito explorada nas coleções, nos manifestos e na cultura negra que invadiu a semana de moda paulistana, dando maior visibilidade a moda afro e suas marcas.

O que vimos nas coleções? 

Entre os destaques da edição 53, destacamos um apontamento que vem sendo recorrente  nas coleções de moda: A forte influência da moda urbana. Dessa forma, temos conjuntos em modelagens mais amplas, recortes, bolsas, e tudo que nos remete a moda da rua, estilosa e confortável.  

A moda da rua também ganha elementos de luxo, outro apontamento recorrente no pós-pandemia, as peças com um toque confortável e despojado se une ao sofisticado da seda, das luvas e vestidos com comprimentos mais alongados, tudo em uma mesma composição. 

João Pimenta | Foto: Reprodução

O elementos naturais como miçangas, peças feitas em crochê e rendas e o trabalho manual foram um dos pontos chaves de muitos desfiles apresentados, ajudando a potencializar a riqueza e os detalhes de nossa brasilidade e todas as pessoas que contribuem para a moda nacional. 

A alfaiataria aparece repaginada e desconstruída, recebendo babados, aplicações diversas, sobreposições, recortes, modelagens mais amplas e descompromissadas, além de tons neutros, terrosos transitando entre o esportivo e o sofisticado. 

Dendezeiro | Foto: Reprodução

Com tantos detalhes e tantos avanços, a semana de moda paulistana vai pouco a pouco assumindo uma personalidade muito mais alinhada ao que temos de urgente no Brasil, dando espaço para que a moda por aqui seja utilizada para comunicar o que somos, pensamos e queremos de uma forma muito mais aprofundada e assertiva, não se limitando ao que está na moda mas sim ao que é moda

Foto capa: Desfile João Pimenta | Reprodução

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